Acho que deu né, já tá na hora de acordar, de acabar com essa brincadeirinha! Agora é momento de pôr os pés no chão e conseguir “se frear” pra não fazer besteira. O momento de dizer chega, de dizer “foi bom enquanto durou, mas agora não dá mais!” No começo vai ser difícil, afinal ela se apegou à ele, mesmo ele sendo “assim” né, mas depois ela vai ver que fez a coisa certa! Nos primeiros dias vai ser estranho, não falar com alguém que virou rotina, mas depois volta ao normal. Se segura garota, no final tudo vai dar certo!
Ele foi um sonho, um lindo sonho, mas não dá pra viver “dormindo”, ele à fez bem, foi bom enquanto durou, mas ela sabe que no fundo não dá mais! Os dois são diferentes, e mesmo não sendo explicitamente, ele à cobra, infelizmente ele é o tipo de cara que os defeitos se sobrepõem às qualidades.
Ficar sem o abraço apertado, sem o beijo, sem as palavras vai doer no começo, mas ela viveu tantos anos sem saber da existência dele, que vai conseguir superar.
Essa é a hora mais terrível do conto de fadas, é a hora em que o príncipe vira sapo, e que as princesas veem que não terão seu final feliz. Mas também é um recomeço, é o momento em que elas procuram seu novo príncipe, e que torcem para que este seja realmente um PRÍNCIPE e não o vilão da história.
Quem sabe esse ponto final, não é o primeiro parágrafo de uma nova história ?
FORÇA GURIA!
”Tenho sido acometido constantemente pelo inédito, pelo inesperado, pela novidade. Nem mesmo eu sabia o quanto estava precisando de novos ares, novos lugares, novas histórias pra contar. Ano passado foi bom, mas repeti demais, permaneci demais em situações que eu sabia que dariam errado desde o começo. Muito disse, muito senti, estraguei uma ou outra coisa, mas sobrevivi. Qualquer outro caminho que eu tivesse seguido não me teria trazido até o agora. Eu estou gostando do agora. E isso só me deixa mais ansioso pelo que me está reservado no depois. Parei de caminhar pela marquise, com medo da chuva. Me deixei atingir por raios. E sempre tem um ou outro que é forte o suficiente pra te fazer o coração parar, pra voltar a bater ainda mais forte. É intensa, a vida de quem corre na chuva, sem desviar das poças d’água. É imprevisível, a vida de quem caminha sem medo de escorregar, de olhos fixos no horizonte, desatento às pedras no chão. Os tombos viram cicatrizes e, em seus pontos recém costurados, se pode ler uma porção de coisas. E entre “não faça isso” e “faça aquilo”, a gente passa a caminhar por estradas cada vez mais estreitas, quase claustrofóbicas. São tantas as lições que a vida nos dá, que, por vezes, vemos nosso mundo se restringir a minúsculos cubículos cercados por instransponíveis muralhas. Assim a gente pára de caminhar, e passamos a viver em um eterno ciclo repetitivo. E é quando essa situação se transforma numa chaga insuportável, a gente apalpa as próprias costas e descobre que somos dotados de asas. Lá de cima, a gente pode acompanhar todos os caminhos que deixamos de percorrer, por medo de colecionar novas - e mais doloridas - cicatrizes. Tomados pelo arrependimento, descobrimos que nossa estrada não é de duas mãos”